Na tarde de segunda-feira, 23 de março de 2026, um superaquecimento nos componentes dos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no brasil-e-china-discutem-cooperacao-em-nanotecnologia/”>Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), resultou em uma situação inesperada. Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), esse incidente deve atrasar a retomada das atividades de pesquisa. A evacuação do prédio que abriga o reator foi necessária, causando um impacto na produção de radioisótopos destinados ao uso médico.
Este centro, reconhecido por sua liderança na produção nacional de radioisótopos, está situado no campus Butantã da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
Embora o superaquecimento tenha gerado fumaça e causado danos a parte dos painéis, não houve risco à segurança ou vazamentos de radiação. A situação foi rapidamente avaliada por uma equipe de vistoria, que incluiu a brigada da instituição, o Corpo de Bombeiros, representantes do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).
Até o momento, as causas exatas do superaquecimento ainda não foram identificadas. A Cnen relatou que dois painéis de controle foram comprometidos e que a CETESB foi acionada para realizar medições da qualidade do ar no local.
"A empresa emprestou uma bomba que já está em operação para a remoção total do ar. Como o reator não estava operando, os painéis não estavam realizando nenhuma função específica", explicou a Cnen. Um laudo técnico está sendo preparado, e uma empresa já foi contratada para avaliar e orçar a instalação de novos painéis.
Além disso, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) inspecionou o prédio nos dias 24 e 25 de março, confirmando que o incêndio foi localizado, afetando um conjunto de racks, cabeamento, parte do teto e até uma cadeira.
Os inspetores da ANSN acessaram a sala de controle afetada e constataram que não havia risco radiológico associado ao evento. É importante destacar que, no momento do incidente, o reator de pesquisa estava desligado.
"Mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas continuam energizados para garantir a segurança, como o sistema de refrigeração dos circuitos primário e secundário e o sistema de aquisição de dados operacionais", acrescentou a Cnen. O Ipen comunicou que os módulos de controle que podem ter sofrido danos passarão por uma avaliação técnica, sob supervisão da ANSN, que recomendou a realização de uma limpeza industrial especializada e acompanhará a reforma do local.
Com 68 anos de operação, o reator utiliza um núcleo de urânio e conta com 12 estações de pesquisa, algumas delas dedicadas à produção de elementos radioativos para uso médico e agrícola.
Desde o início de novembro de 2025, o reator estava em processo de readequação, interrompendo suas operações após a identificação de alterações em elementos refletores de grafite durante medições em um duto de irradiação. "Embora o evento não tenha comprometido a segurança nuclear, a equipe responsável continua atenta aos desdobramentos", concluiu a Cnen.