SEEB
A taxa média de juros do empréstimo pessoal no Brasil alcançou 160,2% ao ano, segundo levantamento realizado em março pelo Procon-SP. O número, por si só alarmante, ganha contornos ainda mais graves quando se observa que bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal seguem alinhados à lógica de bancos privados, cobrando taxas elevadíssimas e penalizando diretamente a população.
Maior banco público do País, o BB cobra 6,72% ao mês, taxa que, embora seja a menor entre as instituições pesquisadas, permanece extremamente elevada e incompatível com seu papel social. Já a Caixa pratica 8% ao mês, reforçando o mesmo padrão de crédito caro. A situação se torna ainda mais escancarada no cheque especial. Todas as instituições, incluindo BB e Caixa, praticam a mesma taxa de 8% ao mês (151,8% ao ano).
A padronização evidencia um comportamento coordenado do sistema financeiro, no qual nem mesmo bancos públicos exercem qualquer papel moderador. A ausência de movimento para redução das taxas também chama atenção, o que reforça a desconexão do BB e da Caixa com a realidade econômica da população e com a necessidade urgente de baratear o crédito no país.
O levantamento do Procon-SP evidencia o que o movimento sindical vem denunciando há tempos: o crédito no Brasil segue entre os mais caros do mundo, funcionando como mecanismo de transferência de renda dos trabalhadores para o sistema financeiro.
A REBOQUE DA SELIC – Esse quadro de juros extorsivos está diretamente ligado à política monetária vigente no Brasil. Mesmo após o corte recente de apenas 0,25 ponto percentual, a taxa Selic permanece em 14,75% ao ano, um patamar extremamente elevado, que mantém o País com a maior taxa de juros reais do mundo, na casa de cerca de 9,5% ao ano. Trata-se de uma política que, longe de estimular a economia, encarece o crédito, trava investimentos, dificulta a geração de empregos e aprofunda o endividamento das famílias.
Diante disso, BB e Caixa não apenas deixam de atuar como instrumentos de enfrentamento desse cenário, como reforçam a engrenagem. Partindo de uma Selic já elevada, esses bancos, ao contrário do que se espera deles, replicam e ampliam o custo do dinheiro, transformando um problema estrutural em um mecanismo ainda mais agressivo de transferência de renda para o sistema financeiro.