O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), fez um pronunciamento nesta terça-feira, 17 de março de 2026. Ele revelou que a Polícia Legislativa do Congresso Nacional irá se debruçar sobre o vazamento de informações que surgiram a partir da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
“Estamos cientes de que houve tentativas de vazamento de informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação. Esses dados, que envolvem o sigilo de Daniel Vorcaro, têm o potencial de comprometer as provas que estamos coletando”, reconheceu Viana.
Na segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, impediu a CPMI do INSS de acessar os dados armazenados na sala-cofre da comissão, que foram apreendidos.
O senador mineiro ressaltou que as informações de natureza íntima do investigado não são relevantes para a CPMI. “O que nos interessa é entender o relacionamento dele com figuras do governo, o sistema financeiro e, principalmente, descobrir para onde foi o dinheiro que foi desviado dos brasileiros”, afirmou.
Para dar continuidade aos trabalhos, Viana planeja enviar um ofício ao gabinete do ministro André Mendonça, questionando sobre quando o material poderá ser devolvido, uma vez que as informações privadas forem retiradas do arquivo disponibilizado à CPMI.
Além disso, Carlos Viana confirmou que pretende convidar para depor no mesmo dia na CPMI do INSS o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto. O intuito das oitivas simultâneas é ouvir as perspectivas sobre o Caso Master e a questão do crédito consignado em benefícios do INSS, buscando evitar um confronto político entre governo e oposição.
“Assim como o escândalo do INSS se estendeu por três governos, o caso do Banco Master também teve sua influência em diferentes administrações. Não se trata de um problema que surgiu agora”, enfatizou Viana, destacando que tanto Galípolo quanto Campos Neto têm muito a explicar.
“Minha intenção é que ambos estejam presentes ao mesmo tempo, recebendo o mesmo tratamento diante da comissão e respondendo a todas as perguntas de maneira clara e transparente para o país”, completou o presidente da CPMI.
Sobre a nova fase da Operação Sem Desconto, que foi deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, Viana mencionou que a deputada Maria Gorete Pereira, identificada como uma das figuras centrais do esquema investigado, foi citada em várias ocasiões durante as audiências da CPMI do INSS.
Com relação ao andamento das investigações, o senador previu novas prisões. “Até agora, já são 14 pessoas presas ligadas ao escândalo do INSS e outras detenções devem acontecer”, afirmou Carlos Viana.
Ele também destacou que, desde o início dos trabalhos, a CPMI do INSS tem atuado de forma integrada com os órgãos de investigação e controle. “Estamos lidando com um esquema que atacou diretamente aposentados e pensionistas, comprometendo boa parte do Estado brasileiro.”