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colaboradores, Cultura, Esporte, Política

A arte e o esporte resgatam o verde e amarelo

Talento de nossos artistas e atletas devolve as cores da bandeira ao povo brasileiro

  • Júlio Pontes
  • 13/03/2026
  • 08:00

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Foto: Divulgação

Júlio Pontes

Desde 2013, quando brasileiros foram às ruas contra o aumento de passagens de ônibus, usar as cores da bandeira do Brasil voltou a ter significado político. Antes disso, os “colloridos”, em 1989; os militares, na década de 1970; e a “Era Vargas”, nos anos 1930, também usavam o verde, o amarelo, o azul e o branco como símbolo.

Na Era Vargas, Carmen Miranda internacionalizou o Brasil com frutas na cabeça;  durante o Regime Militar, o Esquadrão de Ouro conquistou o tricampeonato mundial, em 1970; e na década de 1990, após a redemocratização, Ayrton Senna fez a nação chorar. 

Aquelas manifestações “apartidárias”, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, culminaram, anos depois, na eleição de Jair Bolsonaro. O ex-presidente tentou (e muitas vezes conseguiu) transformar as cores da bandeira em identificação de seus eleitores. Arriscaria dizer que isso perdurou de 2014, quando o PSDB ainda era o maior opositor do PT, até às eleições municipais de 2024. 

ASCENSÃO – Fora da política, o recente destaque internacional de artistas e esportistas brasileiros traz de volta o verde-e-amarelo para os cidadãos comuns e, consequentemente, afasta a direita da exclusividade com as cores da bandeira nacional. 

Relembremos: Fernanda Torres e Wagner Moura foram indicados ao Oscar. O melhor jogador de futebol do mundo em 2024, Vinícius Jr., do Real Madrid, é símbolo da luta contra o racismo. João Fonseca, de 19 anos, é um dos 20 melhores tenistas do mundo. 

Até nos esportes praticados na neve, condição climática inexistente no Brasil, nos destacamos com a primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno, com Lucas Braathen, no esqui alpino.

Aliado a isso, a esquerda soube aproveitar a única brecha que a direita deu nos últimos anos em relação ao pavilhão nacional. Após a taxação dos Estados Unidos, em julho de 2025, encabeçada pela família Bolsonaro – pai, filhos e mulher do (ainda) capitão – o país se uniu em defesa da soberania. 

A frase “O Brasil é dos brasileiros” passou a ser estampada em bonés e repetida constantemente, reaproximando os cidadãos comuns do patriotismo não ideológico. 

Além dos exemplos já citados, uma das músicas virais de 2025, “Havaianas”, de Som de Faculdade e Ferrugem, tem os artistas vestidos com a Amarelinha na capa (foto). 

O projeto “Molho”, do grupo brasiliense Menos é Mais (foto), tem as cores como palheta. A música do carnaval 2026, “Hipnotiza” (foto), de Diggo e Léo Santana, tem quase a mesma estética.

Hoje, três meses antes da Copa do Mundo de futebol, não restam dúvidas: a direita não é mais dona da camisa da Seleção Brasileira de futebol, e muito menos das cores verde e amarelo. 

E, se tudo der certo, em 11 julho estaremos nas ruas, vestidos de Brasil, comemorando o hexa. Espero!

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