Júlio Pontes
Desde 2013, quando brasileiros foram às ruas contra o aumento de passagens de ônibus, usar as cores da bandeira do Brasil voltou a ter significado político. Antes disso, os “colloridos”, em 1989; os militares, na década de 1970; e a “Era Vargas”, nos anos 1930, também usavam o verde, o amarelo, o azul e o branco como símbolo.
Na Era Vargas, Carmen Miranda internacionalizou o Brasil com frutas na cabeça; durante o Regime Militar, o Esquadrão de Ouro conquistou o tricampeonato mundial, em 1970; e na década de 1990, após a redemocratização, Ayrton Senna fez a nação chorar.
Aquelas manifestações “apartidárias”, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, culminaram, anos depois, na eleição de Jair Bolsonaro. O ex-presidente tentou (e muitas vezes conseguiu) transformar as cores da bandeira em identificação de seus eleitores. Arriscaria dizer que isso perdurou de 2014, quando o PSDB ainda era o maior opositor do PT, até às eleições municipais de 2024.
ASCENSÃO – Fora da política, o recente destaque internacional de artistas e esportistas brasileiros traz de volta o verde-e-amarelo para os cidadãos comuns e, consequentemente, afasta a direita da exclusividade com as cores da bandeira nacional.
Relembremos: Fernanda Torres e Wagner Moura foram indicados ao Oscar. O melhor jogador de futebol do mundo em 2024, Vinícius Jr., do Real Madrid, é símbolo da luta contra o racismo. João Fonseca, de 19 anos, é um dos 20 melhores tenistas do mundo.
Até nos esportes praticados na neve, condição climática inexistente no Brasil, nos destacamos com a primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno, com Lucas Braathen, no esqui alpino.
Aliado a isso, a esquerda soube aproveitar a única brecha que a direita deu nos últimos anos em relação ao pavilhão nacional. Após a taxação dos Estados Unidos, em julho de 2025, encabeçada pela família Bolsonaro – pai, filhos e mulher do (ainda) capitão – o país se uniu em defesa da soberania.
A frase “O Brasil é dos brasileiros” passou a ser estampada em bonés e repetida constantemente, reaproximando os cidadãos comuns do patriotismo não ideológico.
Além dos exemplos já citados, uma das músicas virais de 2025, “Havaianas”, de Som de Faculdade e Ferrugem, tem os artistas vestidos com a Amarelinha na capa (foto).
O projeto “Molho”, do grupo brasiliense Menos é Mais (foto), tem as cores como palheta. A música do carnaval 2026, “Hipnotiza” (foto), de Diggo e Léo Santana, tem quase a mesma estética.
Hoje, três meses antes da Copa do Mundo de futebol, não restam dúvidas: a direita não é mais dona da camisa da Seleção Brasileira de futebol, e muito menos das cores verde e amarelo.
E, se tudo der certo, em 11 julho estaremos nas ruas, vestidos de Brasil, comemorando o hexa. Espero!