O Centro de Ensino Médio 3 de Taguatinga já contabilizou 73 estudantes aprovados na Universidade de Brasília e outros 27 em Institutos Federais, nos últimos três anos, pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU). Os resultados são fruto de um trabalho coletivo que envolve professores, equipe pedagógica, gestão escolar e famílias, além do suporte oferecido pelo Núcleo de Apoio aos Vestibulandos (NAVE).
O projeto, idealizado e coordenado pela professora Regina Cotrim, tornou-se uma das principais estratégias da escola para fortalecer o acesso dos estudantes da rede oficial às universidades públicas. Regina confirma os números: em 2022, 20 alunos do CEM 03 foram aprovados, seguidos de 19 em 2023. Com o início do projeto NAVE, em junho daquele ano, o total de aprovados saltou para 92 em 2024 e fechou em 150 em 2025. “Até 12 de fevereiro, havia 100 aprovações (60% de mulheres). E ainda faltam outras chamadas”, diz, orgulhosa.
O CEM 3 “abiscoitou”, até agora, 28 aprovações no SISU e em universidades federais. Só na UnB, foram 73 aprovações, 29 via PAS, 43 via vestibular e 1 via SISU, para cursos como Odontologia, Engenharia, Relações Internacionais, fonoaudiologia. Os aprovados são filhos de cuidadora, faxineira, motorista, caseiro. Filhos da classe trabalhadora com acesso à universidade.
Além do apoio pedagógico, o NAVE também cumpre um papel social fundamental. Muitos dos estudantes atendidos enfrentam situações de vulnerabilidade e, frequentemente, não se reconhecem como pertencentes ao espaço universitário. “A intenção é empoderar esses alunos e mostrar que a universidade pública é um direito deles. Em muitos casos, são os primeiros da família a ingressar no ensino superior”, conta Regina.
“Quando o curso superior não é uma realidade constante no ambiente que a gente convive e mora, a faculdade vira um sonho muito distante, e a gente passa a duvidar da gente. Mas o NAVE e o CEM 03 de Taguatinga nos deram a determinação que a gente precisava para seguir fazendo as provas”, conta Maria Luisa Braga, aprovada no PAS e no vestibular da UnB, em fonoaudiologia e Letras. “Tive um enorme auxílio de todos os professores durante os três anos”, explica. Ela escolheu o curso de fonologia da UnB.
“Valorizamos cada estudante para que ele se sinta capaz de escolher o curso e a universidade que deseja cursar sem medo de não conseguir sucesso nas universidades”, conta a coordenadora Simone Gonçalves. Nesse trabalho de orientação, não estão excluídas universidades no exterior.
“Eu pensava em ir pro exterior, e tive todo o apoio para correr atrás do meu objetivo. Recebi indicações de instituições que eu poderia visitar para conversar e viabilizar minha aprovação. Eu mudei de ideia no meio do processo, resolvi fazer faculdade em Brasília”, conta Marcelo Henrique, que optou por Engenharia Mecatrônica na UnB. Filho de mãe cuidadora de idosos, ele também passou em Geofísica na USP e Ciência da Computação na UFRJ.
Toda a comunidade escolar envolvida
O NAVE integra o Projeto Político-Pedagógico (PPP) do CEM 03 desde 2024, por sugestão da direção da escola. É construído de forma colaborativa com toda a comunidade escolar. “Assim que inserido no PPP, o projeto recebeu uma sala própria, mobiliário adequado e todos os outros projetos e ações foram associados a ele. A iniciativa é abraçada por todos. Em uma rede pública marcada por tantos desafios, cada etapa vencida representa uma vitória coletiva”, avalia a coordenadora do CEM 3, Simone Gonçalves.
Dentro desse projeto, Regina é a responsável pelo acompanhamento pedagógico dos estudantes. Seu trabalho envolve mentorias individuais e em grupos, direcionamento na escolha dos cursos, orientação sobre documentação necessária para inscrições em vestibulares, PAS e Enem, organização de grupos de estudos no contraturno, empréstimo de apostilas e materiais. Ela também cuida do planejamento e acompanhamento de visitas a universidades, como UnB e IFB, e da articulação de palestras e ações formativas.
O trabalho de Regina com os estudantes começa logo no primeiro ano. Ela estabelece um contato próximo com todos e ajuda todo mundo a organizar a rotina de estudos. “O trabalho do NAVE acompanhou a gente desde a inscrição até agora, e vai continuar acompanhando o pessoal da segunda chamada. Nós recebemos apostilas e livros melhores que os livros da escola. Estudamos no contraturno, visitamos alguns campi da UnB”, explica Marcelo Henrique.
Sem o trabalho comprometido dos professores, coordenadores, orientadoras e gestão escolar, nada disso aconteceria: além do acompanhamento de Regina, as provas e as redações aplicadas na escola são elaboradas simulando formatos, conteúdos, níveis de exigência e critérios de correção utilizados em processos seletivos como o vestibular tradicional, o PAS e o Enem. São desenvolvidas as habilidades de leitura, interpretação, argumentação e escrita, ao mesmo tempo em que os jovens são familiarizados com a dinâmica e o rigor das avaliações.
Com esses resultados consistentes e continuados ao longo dos anos, o CEM 03 de Taguatinga reforça que a escola pública é, sim, um espaço legítimo de acesso às universidades e de construção de futuros possíveis. Por seu trabalho à frente do NAVE, a professora Regina recebeu, em setembro de 2023, menção honrosa do 1º Prêmio Paulo Freire de Educação, concedido pela Câmara Distrital.
A diretoria colegiada do Sinpro parabeniza os aprovados e aprovadas do CEM 3 de Taguatinga, e, ainda mais, Regina e todo o corpo docente da escola, por demonstrarem, na prática, os bons resultados de uma educação laica, de qualidade socialmente referenciada.