Júlio Pontes
A Constituição Federal impõe que o recesso parlamentar de fim de ano comece sempre em 23 de dezembro e termine em 2 de fevereiro. Esta data é marcada por uma sessão no Congresso Nacional, onde são representados os três Poderes da República.
Além da cerimônia institucional, outra praxe (esta não prevista na Carta Magna), é votar projetos impopulares logo no primeiro “dia útil”. A ideia, com isto é para diluir o desgaste durante o restante do ano.
No entanto, apesar do prejuízo de imagem calculado, em 2026 os parlamentares parecem ter extrapolado, ao pautar, como um dos primeiros projetos apreciados o reajuste para servidores da Câmara e do Senado.
Os penduricalhos aprovados a toque de caixa e sem maiores discussões poderiam resultar em salários de até R$ 77 mil e um custo anual de R$ 650 milhões para os cofres públicos.
Quem freou a iniciativa, pelo menos temporariamente, por meio de liminar, foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu o pagamento dos “penduricalhos”.
Segundo levantamento da Nexus, a decisão de Dino registrou 535 mil interações no X em menos de 24 horas. Mesmo em descrédito com boa parte da população brasileira, a maioria das menções foi em apoio ao STF.
A polêmica dos “supersalários” atraiu críticas à classe política, especialmente ao Legislativo. O resultado nas redes sociais foi a queda no engajamento de todos os pré-candidatos à Presidência da República na semana de 1º a 8 de fevereiro.
Flávio Bolsonaro (PL) que ganhava mais de 300 mil seguidores por semana no Instagram desde que anunciou ser o herdeiro eleitoral do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou 84 mil.
O polêmico Renan Santos (Missão) que registrou engajamento médio de 37% na semana anterior, teve 16% após o fim do recesso parlamentar. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), perdeu 500 seguidores em sete dias.
Romeu Zema (Novo) viralizou com uma nota de pesar pelo falecimento do influencer mineiro Rodrigo Maderite, mas, ainda assim, cresceu menos do que em semanas anteriores.
Ronaldo Caiado, que foi o foco da última semana de janeiro após se filiar ao PSD, caiu de um engajamento médio de 2% para 0,29%. Seu companheiro de partido, Ratinho Jr., que registrou 19 mil novos seguidores na semana anterior, não chegou a 5 mil depois que o Congresso voltou a “trabalhar pelo povo”.
A mudança de foco do Executivo para o Legislativo tem nova previsão para se repetir: a votação do fim da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) já encaminhou a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça, e caso seja aprovada, segue para uma comissão especial e depois para o Plenário da Casa.
Como é uma bandeira do governo Lula, à medida que o debate ganhe corpo no Legislativo, a tendência é que vire pauta para todos os pré-candidatos ao cargo máximo do Executivo nacional. A conferir!