Ana Mendonça
49 dias após o acidente que quase causou o atropelamento de uma mulher e de uma criança na BR-060 por falha nos freios de uma Ford Ranger V6 ano/modelo 2025, a Ford Motor Company Ltda respondeu, na quarta-feira (21), ao proprietário da camionete, o engenheiro Washington Dantas, que “não foram constatados qualquer sinal (sic) de advertência ou código de falha que indicassem alguma anomalia no sistema de freios antes ou durante o incidente, afastando qualquer relação com eventual problema de fabricação”. A conclusão encaminhada pela Central de Relacionamento com o Cliente é atribuída ao “time de engenheiros da Ford”.
Porém, ao contrário da resposta vaga e apócrifa da fabricante, no mesmo dia o proprietário recebeu o resultado de uma perícia particular contratada por ele que contraria frontalmente o “time de engenheiros da Ford”. O laudo técnico independente concluiu que uma falha eletrônica no sistema de freios causou o acidente no dia 3 de dezembro, entre Abadiânia e Alexânia (GO). O veículo colidiu contra a estrutura metálica da lanchonete Jerivá após a perda de frenagem, conforme revelado pelo Brasília Capital na edição 758. Apesar da gravidade do impacto, ninguém ficou ferido.
A perícia contratada pelo proprietário do veículo foi realizada pela empresa Autoinsp, especializada em inspeção automotiva. O laudo é assinado por engenheiro automotivo registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). “Esse laudo foi feito por um perito, que é engenheiro credenciado ao CREA”, afirmou Dantas, horas antes de receber a resposta da Ford.
O trabalho pericial incluiu inspeções presenciais, análise dos danos estruturais, verificação do histórico de manutenção e diagnóstico eletrônico por scanner automotivo, que identificou “falhas críticas de comunicação entre módulos, especialmente no sistema de assistência elétrica à frenagem (Electronic Brake Booster – EBB). Segundo o laudo, a caminhonete estava com a manutenção em dia, dentro dos prazos recomendados, o que descarta desgaste natural ou negligência. A análise concluiu que os componentes mecânicos tradicionais do sistema de freios, como discos, pastilhas, pinças e fluido, estavam em bom estado.
RECALL – De acordo com os peritos da Autoinsp, a falha levou o sistema a entrar em modo de segurança, reduzindo ou anulando a assistência elétrica ao freio. Isso teria provocado o endurecimento súbito do pedal e a perda de eficiência na frenagem no momento em que o motorista tentava reduzir a velocidade para acessar o estabelecimento.
O laudo aponta, ainda, que o defeito é compatível com falhas já reconhecidas pela montadora em campanhas de recall do mesmo modelo em outros mercados, relacionadas a instabilidades de software no módulo de assistência de frenagem. Segundo os especialistas, trata-se de um problema sistêmico e eletrônico, sem relação com erro humano.
Washington afirma que contratou a perícia para compreender as causas do acidente e preservar seus direitos como consumidor. A Ford, por sua vez, informou que não vai cobrir os custos de reparo e lanternagem, segundo contato de um funcionário da concessionária Slaviero.