Renan Santos tem 41 anos. Estudou Direito e ganhou notoriedade quando fundou o Movimento Brasil Livre (MBL). Em 2013, com 30 anos, ele organizou manifestações, a princípio apartidárias, contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Aquilo que começou em São Paulo ganhou as ruas do Brasil e foi o embrião para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
À época, os jovens organizadores dos eventos se orgulhavam em dizer que o MBL não permitia bandeiras de partidos políticos em suas manifestações. Logo depois, em 2018, alguns líderes dos atos nas ruas se abrigaram no Democratas (depois no União Brasil). E elegeram nomes como o deputado federal Kim Kataguiri (São Paulo).
Além de Kataguiri, os vereadores Amanda Vettorazzo, Guto Zacharias (São Paulo) e Sandro Filho (Salvador-BA) também ganharam as eleições e passaram a ocupar cargos públicos em seus municípios. Sandro Filho, porém, foi expulso do grupo porque sua esposa ocupa cargo na Prefeitura de Salvador.
O “movimento apartidário” liderado por Renan Santos se tornou um partido político em novembro de 2025, o Missão, simbolizado por uma onça e pelas cores preto, amarelo e branco. Apesar de nova, a sigla já tem um pré-candidato à Presidência da República: justamente Renan Santos.
Na disputa pelo Palácio do Planalto, Renan aposta todas as suas fichas no poder das redes sociais. Seu objetivo é muito claro: se comunicar com o público jovem. Para isso, não teme entrar em polêmicas. Tem feito uma série de vídeos com frases que beiram o preconceito e trata Lula e a família Bolsonaro com o mesmo desprezo: para Renan, são todos “ladrões”.
A estratégia parece funcionar. No último mês, ele ganhou mais seguidores no Instagram do que todos os outros presidenciáveis. Ficou atrás somente de Flávio Bolsonaro (PL), que conta com a “rede digital” herdada de seu pai. A estratégia de chocar e não ter papas na língua se aproxima do que foi feito por Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024.
Renan também conta com uma rede que difunde seus conteúdos. Ao contrário de Marçal, não são pessoas remuneradas diretamente para isso. São políticos. É comum que Santos entre numa polêmica e horas depois Kim Kataguiri reaja (no linguajar digital, faça um react) apoiando a fala de seu colega. Isso provoca uma onda nas redes.
Entretanto, Renan sabe que precisa da televisão e do rádio para alcançar novos públicos e chegar ao seu objetivo. Para isso, desde já pressiona as redes de TV para convidá-lo para os debates. Nas últimas eleições, só participaram de debates candidatos de partidos com, no mínimo, 5 representantes no Congresso Nacional. O que não é o caso do recém-criado Missão.
Dito tudo isso, anota-se que será a primeira de muitas vezes que tratarei deste nome neste espaço, assim como foi com Pablo Marçal ao longo de 2024. Resta saber se o líder do MBL está pronto para se defender de uma eventual cadeirada.