Caroline Romeiro (*)
A alimentação inadequada está entre as principais causas das doenças que mais matam no Brasil, como infarto, derrame, diabetes, doença renal crônica, obesidade e alguns tipos de câncer. Essas condições estão diretamente relacionadas a hábitos alimentares e podem ser prevenidas ou controladas com acompanhamento nutricional adequado.
O nutricionista tem papel central nesse cuidado, atuando tanto na prevenção quanto no tratamento. Para isso, porém, precisa avaliar o estado de saúde do paciente de forma completa, o que inclui a análise de exames laboratoriais.
Exames como glicemia, colesterol, triglicerídeos, creatinina, hemograma, ferritina e dosagens de vitaminas e minerais ajudam o nutricionista a identificar riscos, ajustar a alimentação e acompanhar se o tratamento nutricional está funcionando. Sem esses dados, o cuidado fica incompleto e menos seguro.
Mesmo assim, muitos planos de saúde ainda negam a cobertura desses exames quando são solicitados por nutricionistas, obrigando o paciente a marcar uma consulta médica apenas para “autorizar” exames que já são necessários para o acompanhamento nutricional. Essa situação gera custos extras, atrasos no diagnóstico e fragmentação do cuidado.
RISCO – Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) a solicitação de exames por nutricionistas é prática consolidada, na saúde suplementar cerca de 200 mil profissionais enfrentam restrições que acabam recaindo sobre o consumidor.
O resultado é menos prevenção, mais burocracia e maior risco de agravamento de doenças que poderiam ser controladas precocemente com orientação alimentar adequada.
Diante desse cenário, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam garantir que os planos de saúde cubram exames laboratoriais solicitados por nutricionistas.
Entre eles, destacam-se o PL nº 5.881/2019 e o PL nº 539/2025, que reforçam essa atribuição profissional e visam alinhar a saúde suplementar às necessidades reais dos pacientes.
Ampliar essa cobertura significa fortalecer a prevenção, reduzir internações evitáveis e promover um cuidado em saúde mais integrado, eficiente e acessível para toda a população.
(*) Mestre em Nutrição Humana, Coordenadora Técnica de Nutrição do Conselho Federal de Nutrição e Docente do Curso de Nutrição da Universidade Católica de Brasília (UCB)