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Cidades

Sinpro diz não ao retorno de aulas presenciais no DF

  • Sindicato dos Professores do DF
  • 20/02/2021
  • 13:11

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Diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), Rosilene Corrêa. Foto: Júlio Pontes

O Sinpro-DF foi surpreendido, na quinta-feira (18), com uma declaração do governador Ibaneis Rocha (MDB) confirmando a volta às aulas presenciais na rede pública de ensino do Distrito Federal a partir do dia 8 de março. A diretoria colegiada do sindicato contesta e avalia que não há a menor possibilidade de a rede pública de ensino retornar com atividades presenciais sem a vacina, e solicitou audiência com o governador para tratar do assunto.

O entendimento da diretoria é o de que não há a menor condição para retorno de aulas presenciais a partir de 8 de março. Essa avaliação será remetida à categoria, ainda que em uma assembleia virtual, para que todos e todas se posicionem. “Entendemos que é necessário retomar as aulas presenciais e que o lugar de professores(as) e estudantes é na escola. Contudo, é preciso ter condições sanitárias e pedagógicas para esse retorno”, afirma.

Alerta para o fato de que, antes de retomar as aulas presenciais, “o Distrito Federal precisa tomar as providências e ter empenho para assegurar esse retorno com segurança. Isso só irá ocorrer com a vacinação de todos os trabalhadores em educação. O que se vê hoje, com esse atraso na distribuição dos imunizantes, é a falta de disposição para vacinar toda a categoria e também toda a população. Afinal, a própria medicina diz, e a história das pestes no mundo já registrou isso, que a segurança plena só irá acontecer com a vacinação para 100% dos brasileiros”, critica.

Na opinião da diretoria, “ainda que seja mantida uma decisão que, na nossa avaliação, é totalmente equivocada e irresponsável, de ter retorno presencial sem vacina, há denúncias e temos como informação que as escolas, certamente, não estarão preparadas para esse retorno. E isso é decidir por colocar a população em situação de massacre genocida”.

O governador do DF comparou o retorno presencial com o da escola privada e esqueceu de mencionar as grandes diferenças entre uma escola e outra, a começar pela quantidade de estudantes. Mesmo assim, a comparação não é das melhores: em locais que a escola privada voltou a ter aulas presenciais na pandemia do novo coronavírus, mesmo sem vacina, os resultados têm sido arrasadores: o número de contágio e adoecimento de professores é a prova da irresponsabilidade.

Muitas fecharam as portas presenciais e retomaram as aulas virtuais por causa do aumento da infestação no Brasil e em todos os países. Basta ver o exemplo de São Paulo. Naquele estado, várias escolas privadas tiveram de retornar às aulas virtuais.

Na rede pública, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP (Apeoesp) divulgou, nesta semana, um levantamento perturbador: até domingo, 14/2, foram confirmados 329 casos de covid-19 em 186 escolas públicas de São Paulo. Ainda de acordo com a entidade, sete funcionários morreram em decorrência da doença na capital, em São José do Rio Preto, Leme, Praia Grande e Guapiara. A Apeoesp tem mostrado, em seu site, o grave quadro de contaminação e adoecimento por covid-19 entre os trabalhadores em educação após o retorno às aulas.

Quase todos os países que retomaram as aulas presenciais tiveram de voltar às aulas virtuais por causa do aumento assustador dos casos de xovid-19 não só entre os trabalhadores da educação, mas entre crianças e adolescentes, cujo impacto na saúde tem sido também estarrecedor.

Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, além de não ser o momento de retorno, as aulas presenciais estão suspensas na rede pública porque não há, desde o início, uma política de combate à pandemia do novo coronavírus nacional e local, o que tem levado à morte centenas de milhares de pessoas.

Só nas últimas 24 horas, o País registrou 1.195 mortes pela covid-19, totalizando 242.178 até as 20h de quarta-feira (17/2). E vários estados estão suspendendo a vacinação, dentre eles o DF, por falta do imunizante. Só na quarta-feira (17/2), morreram 10 pessoas de covid-19 no DF. E do dia 12 de março de 2020, data em que as escolas tiveram de suspender as aulas presenciais, até o início da semana do carnaval de 2021, a capital do País já registrou 5 mil mortes só de covid-19.

Lembrando que todos os números de óbitos e contaminação pelo novo coronavírus informados pelo governo estão subnotificados e que, na avaliação dos cientistas, essa política de não combate ao vírus e não vacinação da população está levando o Brasil a uma endemização da pandemia, o que fará com que a covid-19 permaneça no País por longo tempo.

A diretoria colegiada lembra que, em reunião de negociação com a Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF), realizada no início de fevereiro, o governo firmou o compromisso de viabilizar o retorno presencial às aulas apenas depois de vacinar todos os trabalhadores em educação da rede pública do DF.

“Além disso, é visível que o Governo do Distrito Federal não tomou as devidas providências para instalar nas mais de seiscentas unidades escolares os protocolos de segurança contra a covid-19 porque, mesmo com vacina, é necessário o investimento em segurança e inclusão educacional até mesmo para o retorno virtual”.

Diante do quadro preocupante, da política de negação da ciência e de investimento público no combate à pandemia e nas declarações do governador Ibaneis, a diretoria afirma que “é com imenso espanto que nós recebemos a notícia de que o governador anunciou uma possibilidade de retorno das aulas presenciais para o dia 8 sem vacina”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, afirma que, no entendimento da diretoria, a responsabilidade de um governante deve ser se empenhar para que as vacinas cheguem, urgentemente, a todos os trabalhadores em educação para assegurar o retorno presencial.

“Queremos o retorno das aulas presenciais, mas, com o máximo de segurança, necessária e obrigatoriamente, de todos os trabalhadores e trabalhadoras em educação. Portanto, não há a menor condição, não há o menor acordo com o Sindicato dos Professores para este retorno presencial. Neste momento, precisamos preservar vidas.

A vacina existe, o que está faltando é empenho, é gestão pública para que essa vacina chegue até nós”.

Veja o vídeo:

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