Governador do DF – Ibaneis Rocha / Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles/ DivulgaçãoNa primeira sessão da Câmara
Legislativa após o recesso de julho, quinta-feira (1º), quem roubou a cena foi
o governador Ibaneis Rocha. Em seu pronunciamento, o emedebista reiterou a
intenção de encaminhar projetos de privatização da Companhia do Metropolitano
(Metrô), da Companhia Energética de Brasília (CEB) e a Companhia de Saneamento
Ambiental (Caesb).
Porém, se olhasse para o outro lado
da divisa entre o Distrito Federal e Goiás, talvez Ibaneis reavaliasse seu
projeto. Lá, o governador Ronaldo Caiado (DEM), com quem Ibaneis anda às
turras, tem passado maus bocados com a Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) e com a empresa italiana Enel, que comprou a Companhia de Energia do
Estado de Goiás (CELG).
Na terça-feira (30), Caiado veio a
Brasília se reuniu com o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da
República, Luiz Eduardo Ramos para discutir a privatização da CELG. Apresentou
as reclamações de empresários e agropecuaristas há muito tempo reclamam do
péssimo serviço prestado pela Enel, vencedora da licitação realizada no governo
de Marconi Perillo (PSDB).
Protestos – A Enel Goiás tem sido alvo de
protestos constantes e tem a pior avaliação de qualidade nos serviços
prestados, segundo a Aneel. “Goiás não
merece essa situação”, disse Caiado. Recentemente, o prefeito de Caldas Novas,
Evandro Magal, reclamou nas redes sociais da qualidade da companhia: \”Se
depender da Enel, vamos morrer no escuro e com sede\”.
A qualidade dos serviços da companhia
italiana é alvo desde fevereiro de uma CPI na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
Os parlamentares a instituíram para buscar os motivos pelos quais a companhia
tem um dos piores serviços no setor em todo o País. Ainda em fevereiro,
representantes do setor agropecuário e comerciantes realizaram protestos na
sede da Enel, em Goiânia.
\”Não descansaremos enquanto isto
não se resolver”, disse, na ocasião, o presidente da Federação da Agricultura e
Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner. “Os produtores e a sociedade em
geral chegaram num ponto em que não aguentam mais a qualidade da energia
distribuída em Goiás, além de pagarmos uma das maiores tarifas do Brasil”. E
completou: \”Goiás não merece essa situação\”.
Desastre – Caiado vem cobrando melhorias no
sistema de distribuição de energia elétrica em Goiás. O primeiro encontro entre
o governador e o presidente da Enel, Abel Rochinha, ocorreu em janeiro. Uma
foto tirada para divulgação da reunião mostra o chefe do Executivo claramente
irritado sentado a uma mesa ao lado de Rochinha.
Em evento no último final de semana
em Jataí, no sudoeste goiano, o governador disse aos produtores rurais que a
Anel “está impedindo que as indústrias venham para nosso Estado por falta de
energia”. E exemplificou: “É um desastre. Estamos implantando uma
policlínica em Posse, no nordeste do Estado, uma das mais carentes de Goiás, e
estou com a informação de que a Enel não tem como oferecer energia para
instalar os equipamentos de exames. E só temos a Enel. Ou ela atende às nossas
demandas ou é inadmissível que continue respondendo pela distribuição de
energia no Estado”, frisou.
Outro lado – A Enel Brasil informa que não
recebeu nenhuma notificação oficial do Governo Federal em relação à concessão
de sua distribuidora em Goiás. Desde que assumiu o controle da distribuidora, a
Enel Distribuição Goiás tem investido 3,5 vezes mais do que os níveis históricos
anteriores à privatização, com melhorias significativas nos índices de
qualidade medidos pela Aneel.
Desde então, o DEC (índice de duração
média das interrupções de energia) e o FEC (índice de frequência média das
interrupções) melhoraram 21% e 39%, respectivamente, melhores índices
históricos da companhia. Como resultado desse plano de investimento, a Enel
Distribuição Goiás recentemente foi premiada, pelo segundo ano consecutivo,
como melhor distribuidora na categoria Evolução do Desempenho da Associação
Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
Fim da linha – Mas a paciência de Ronaldo Caiado se
esgotou. Na reunião com o diretor da Aneel, na terça-feira, o governador teria
recebido sinalização do presidente da República, Jair Bolsonaro, para levar
adiante um processo de reversão da privatização da CELG.