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Manchete

Sílvio Santos: o camelô que ficou bilionário!

  • Fernando Pinto
  • 13/01/2019
  • 10:13

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O espetáculo era a céu aberto, geralmente pelas manhãs, e tinha como palco a praça da Cruz Vermelha,no centro do Rio de Janeiro, então Capital Federal. E os protagonistas eram dois rapazes, de boa aparência, pelo visto, irmãos. O mais alto, de aproximadamente 1,80m, comandava as vendas do princípio ao fim.

Com sua voz tronitroante, ele induzia aos circunstantes comprar as suas bugigangas a preço \”de graça\”, que podia ser uma panela de alumínio ou uma carteira porta-documentos, de legítimo couro de crocodilo – \”bastava ver e apalpar\”, conforme um dia aconteceu comigo, por volta de 1945. Aos 20 anos, eu ainda era estudante, uma época em que nem sempre sobrava dinheiro para comprar alguma coisa supérflua.

Quanto aos dois camelôs, não passavam de ilustres desconhecidos, até que foram identificados em uma reportagem no Jornal do Brasil: eles eram filhos de imigrantes judeus e não faziam outra coisa na vida senão seguir a vocação de seus pais, comerciantes de corpo e alma. O dono da voz de trovão chamava-se Senor Abravanel. Seu irmão mais novo era Leon. Ambos começaram a trabalhar aos 14 anos, quando o mais velho passou a exibir sua voz, considerada poderosa.

E assim o tempo foi passando, quando Senor resolveu trocar de nome, passando a usar pseudônimo. Adotou o prenome Sílvio porque era assim que sua mãe o chamava. E o sobrenome Santos, ao conquistar o primeiro lugar cantando no programa de calouros que tinha como apresentador o conhecido Jorge Cury. Desde então, prevaleceu o logotipo Sílvio Santos. As vitórias se sucediam em qualquer de suas atividades, até mesmo na carreira militar, como exímio paraquedista.

.           Como empresário, não parava de crescer, realizando sorteios de carros e eletrodomésticos. Comprou de seu amigo Manoel da Nóbrega o Baú da Felicidade, e resolveu vender baús de Natal para crianças, mediante o pagamento de suaves prestações, sucesso financeiro absoluto.

Hoje, aos 88 anos, o camelô que conheci na praça da Cruz Vermelha não tem nada a ver com o empresário que continua comandando o show dominical no Programa Sílvio Santos, na sua empresa de televisão, o SBT, ainda com aquela voz envolvente de quem pode jogar cédulas de 20 reais ao público e desfrutar sono tranquilo com uma fortuna avaliada em torno de US$ 4 bilhões!

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