1º de Maio e os ataques aos direitos dos trabalhadores

BSB Capital 02/05/2019 às 15:36, Atualizado em 02/05/2019 às 15:36

Governo Bolsonaro ataca a Educação, demoniza e calunia os professores, chamando-os de doutrinadores

1º de maio foi escolhido para homenagear trabalhadores de Chicago que deflagraram uma greve nesse dia, em 1886, pela redução da jornada de trabalho de 17 horas para 8 horas. O ato foi brutalmente reprimido, mas anos depois vários países adotaram a jornada de 8 horas e o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador. No Brasil, a data foi oficializada em 26 de setembro de 1924 como um dia era de protestos. Mas essa caraterística foi dissolvida por Getúlio Vargas, que trocou o nome de Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho, e alterou a concepção de dia de luta.

Essa luta assegurou conquistas, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Carteira de Trabalho; salário mínimo; FGTS; jornada de 8h; férias e descanso semanal remunerados; 13º salário; insalubridade; adicional noturno; seguro-desemprego; licença-maternidade e paternidade; aposentadoria; Justiça do Trabalho, o fim do trabalho infantil, etc.

Mas as elites ricas nunca aceitaram. Sempre tentaram acabar com esses direitos.  E conseguiram isso após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Aprovaram a reforma trabalhista que desmontou a CLT. Nesta entrevista, Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, afirma que, com a extinção de direitos, é preciso resgatar a luta do início do século 20.

Entrevista Rosilene Corrêa

Rosilene Corrêa: Diretora do Sinpro-DF
Foto: Júlio Pontes/BsB Capital

Quais são os ataques à classe trabalhadora brasileira? – Aos direitos trabalhistas, sociais e até humanos. Estamos num estado de exceção que começou com o impeachment da presidenta Dilma. Denunciamos que o impedimento não era contra ela e, sim, contra os trabalhadores, e era um atentado à democracia. Dito e feito. Foram aprovadas a reforma trabalhista e a terceirização do serviço público, entre outras.

Por que a reforma trabalhista é um ataque aos trabalhadores? – Porque extinguiu direitos e fragilizou as relações de trabalho. Enfraqueceu os sindicatos e colocou o trabalhador para negociar diretamente com o patrão. Colocou a Justiça do Trabalho sob risco de extinção e outra série de prejuízos.

E a reforma da Previdência? – A reforma é para acabar com a seguridade social. É importante lembrar que a Previdência não é só a aposentadoria. Integra um conjunto de seguros que ajuda os trabalhadores nas horas difíceis, como o seguro desemprego, pensão por morte, licença maternidade e outros benefícios que, juntamente com o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), representa o fim da assistência do Estado ao cidadão necessitado.

O que podemos tirar de lição deste 1º de maio de 2019? Que temos uma grande quantidade de lutas para enfrentarmos juntos. Só assim o Brasil voltará a olhar para os trabalhadores como prioridade.

Nesse cenário, como fica a educação? – A educação é o caminho da justiça social. Por isso, de 2003 a 2014, houve investimentos na melhoria do ensino e na construção de novas universidades, creches e escolas de ensino básico. Hoje, o governo Bolsonaro a ataca para destruí-la. É tão sério que ele demoniza os professores e os calunia, chamando-os de doutrinadores, e atua para emburrecer o povo. Cortou 30% do orçamento financeiro das universidades e, para isso, chamou de “balbúrdia” os trabalhos de extensão feitos com as comunidades. É a desculpa dele para desmontar a universidade pública. 

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